terça-feira, 6 de outubro de 2009

A SECULARIZAÇÃO NO CRISTIANISMO

A SECULARIZAÇÃO NO CRISTIANISMO

Pr. Sérgio Aparecido Dias
Palestra proferida no Acampamento Batista Regular Canaã, 
de 26 a 28 / 02 / 2006


Textos: João 3:16; I João 2:15-17; 18,19 ; II Timóteo 4:9.10

INTRODUÇÃO

Conceitos de:

  1. Mundo e Mundanismo (João 3:16;  I João 2:15-17)
  2. Século e Secularização
  3. Cristo e Cristianismo
  4. Igreja, Religião e Religiosidade.

            Em João 3:16 Jesus afirma que “Deus amou o mundo”. Porém, em I João 2:15, o apóstolo  exorta a não amarmos o mundo “e nem as coisas que nele há!!!”.  A impressão que se tem é  de que existe uma discrepância, ou seja, uma contradição entre os 2 textos. Mas esta aparente discrepância desaparece quando examinamos o contexto de cada um.  Examinemos, pois:

  1. No primeiro texto, Jesus nos informa que a finalidade desse amor é proporcionar salvação a todos os que vierem a crer nEle.  Portanto, o termo mundo significa a totalidade das pessoas que habitam a terra, ou mesmo o universo, pois nada impede que daqui a alguns anos algumas pessoas estejam morando definitivamente em colônias espaciais (como é o caso de astronautas que chegam a permanecer meses em estações orbitais. Talvez alguém esteja se convertendo agora mesmo, numa dessas estações, quem sabe...);

  1. Na exortação do apóstolo João, a ênfase é de que nos afastemos dos 3 princípios básicos que originam o pecado, quais sejam: a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida.  Neste caso, o termo mundo significa mundanismo, também podendo ser interpretado por secularização.

Na sua 2ª epístola ao jovem Timóteo, no capítulo 4 e nos versículos 9 e 10, o apóstolo Paulo reclama do abandono por parte de seus companheiros Demas, Crescente e Tito. Parece-nos que Crescente e Tito decidiram trabalhar em outros campos missionários, desligando-se da liderança de Paulo e tornando-se obreiros independentes. Mas o apóstolo enfatiza que Demas, “ tendo amado o presente século”, abandonou-o. A impressão que se tem é de que Demas desviou-se e abandonou o evangelho.  Mas também é provável que ele não suportou os rigores da vida missionária e tenha resolvido deixar tudo para se dedicar a um negócio que lhe pudesse render dinheiro para o seu sustento.  Seja como for, o caso é que Demas “amou o presente século” ao tomar essa atitude. Amoldar-se aos princípios que regem o mundo é adotar o mundanismo e a secularização! Permitir a entrada de costumes que estejam em desacordo com os princípios bíblicos (ainda que lícitos aos padrões do mundo) é abrir as portas para a secularização.  Quando uma Igreja torna-se muito popular e agradável; ou quando é muito aplaudida, certamente nunca o é por estar realizando o seu trabalho evangelizador, mas por confundir evangelização com filantropia e por franquear o seu púlpito para artistas, cantores mundanos e políticos! Uma Igreja assim perdeu suas características cristãs fundamentalistas e secularizou-se! Babilonizou-se!!!

 Os três princípios que originam o pecado dos quais falou o apóstolo João, estão estabelecidos no livro de Gênesis, no triste episódio da queda dos nossos primeiros pais, no capítulo 3. Verifiquemos:

1 - Concupiscência dos olhos – “...e vendo a mulher que a árvore era agradável aos olhos...”
2 - Concupiscência da carne -   “...que a árvore era boa para se comer...”
3 - Soberba da vida – “...e árvore desejável para dar entendimento...”


            É de se notar a enorme influência da serpente sobre a mulher, pois somente a sugestão de que seriam “semelhantes a Deus” no conhecimento, foi o suficiente para que ela visse que a árvore era desejável para dar entendimento!  Isso pode nos parecer ridículo, mas não é exatamente isso que as pessoas do século XXI estão fazendo?  Os ímpios, que não têm o conhecimento da Palavra de Deus, acreditam que certos cristais podem trazer sorte, felicidade, prosperidade e saúde.  Por outro lado, os neopentecostais colocam a sua fé em pétalas de rosa de Saron, água do rio Jordão, óleo fabricado com olivas de Jerusalém,  a utilização do sal grosso, pulseiras de metal, ramos de arruda e outras grosseiras superstições, herdadas do paganismo europeu e do candomblé africano.

            Afinal, o que é “Cristianismo”? Acaso pode o efeito sobrepujar a causa que o originou, transformando-se numa outra versão, completamente oposta a essa mesma causa?  Seria a atual religiosidade “cristã” uma roupagem piedosa para práticas pagãs, uma “metamorfose” religiosa, ao invés da metanóia (do grego metanoia – conversão) neotestamentária? O verdadeiro Cristianismo é o efeito abençoado de uma grande causa (ou princípio) que o originou, ou seja: o Senhor Jesus Cristo! A verdadeira Igreja cristã é o corpo e a cabeça é Cristo!  Não se pode sequer imaginar um Cristianismo sem compromisso com Cristo, com a Bíblia e com a verdade.  O termo “religião” vem do latim religio e do verbo religare, que significa religar.  Quer dizer, religar o homem pecador com o Deus santo, restaurar a comunhão perdida no Jardim do Édem.  Mas Jesus veio exatamente para isso! Só Ele pode restaurar a comunhão perdida, através do seu sacrifício realizado na cruz do Calvário.  Impossível um Cristianismo sem o novo nascimento, sem a identificação com a cruz de Cristo, sem a aceitação de seu jugo!  A religião sem compromisso com Deus é uma farsa!!!     

            Mas o que se vê hoje é uma grande religiosidade, uma espécie de “avivamento às avessas”, ou seja: uma tentativa de atrair o Espírito Santo mediante as emoções e manifestações puramente carnais. Tenta-se vender a imagem de Cristo às massas, apresentando-o como alguém muito bondoso e extremamente identificado com as fraquezas humanas, a ponto de aceitar a todos como estão, sem exigir-lhes qualquer espécie de mudança ou compromisso.  Basta que se adotem comportamentos moderados, linguagem religiosa, freqüentem reuniões especiais para consagração de empresários, paguem pontualmente os seus dízimos (para que recebam muito mais em troca), participem de correntes de libertação de traumas, recebam a energia nas “reuniões de poder” e peçam a Deus a bênção da prosperidade.        Sem dúvida nenhuma, estamos vivendo em dias de crise de identidade eclesiástica e teológica. Na verdade, a Igreja sempre se deparou com crises ao longo de sua história, porém, não de modo tão sistemático quanto nesses últimos tempos.  Uma onda alarmantemente crescente de esfriamento espiritual tem varrido nossas igrejas, com o conseqüente esvaziamento das reuniões e cultos.  Diversas denominações resolveram adotar alguns programas e estratégias para tentar conter essa onda. Mas infelizmente, ao invés de utilizarem princípios bíblicos, tais como: oração, jejum, campanhas de consagração, cultos de doutrina e reuniões de confraternização, apelaram para o lado puramente emotivo e carnal.  Abriram, ou melhor dizendo, escancararam suas portas para entrar toda sorte de costumes e práticas alheias ao verdadeiro cristianismo.  Não se apresentaram a Deus como obreiros aprovados e nem manejaram bem a Palavra da verdade (II Tim. 2:15).

             Sob a discutível alegação de “fazer-se de judeu para ganhar os judeus” e “fazer-se de grego para ganhar os gregos” (imaginando que estão procedendo como o apóstolo Paulo) , absorveram a linguagem, a música e as táticas de marketing mundanas, transformando os púlpitos em palcos e passarelas de celebridades do meio artístico.  Os cultos deixaram de ser manifestações de louvor e adoração para se tornarem shows barulhentos, cheios de sons estridentes de instrumentos a pleno volume, danças, coreografias, gritos, vaias e assobios, com a predominância do rock e da gospel music.  Os sermões não mais enfatizam a conversão ou a dedicação de vidas no altar, mas exaltam a busca da prosperidade financeira, o bem-estar físico e a “cura interior” pela compreensão dos traumas da infância, usando técnicas de regressão e recursos de psicoterapia e psiquiatria.  Este é o triste e trágico retrato de muitas igrejas e denominações contemporâneas, cujos líderes são falsos apóstolos disfarçados (II Cor. 11:13).

              Qual o resultado? Bem...os templos se tornaram enormes catedrais, os membros são contados aos milhares, as ofertas arrecadadas avolumam-se em verdadeiras fortunas e muitos dos pastores dessas igrejas passam as suas férias na Europa e nos Estados Unidos.  E quanto à doutrina? E como fica a espiritualidade? E a identificação com a cruz de Cristo? E a fidelidade ao evangelho puro? O que esses “convertidos” e “decididos” estão praticando? Em que baseiam a sua fé?  Em que eles são diferentes dos ímpios? Os ímpios, que não têm o conhecimento da Palavra de Deus, acreditam que certos cristais podem trazer sorte, felicidade, prosperidade e saúde.  Por outro lado, os neopentecostais colocam a sua fé em pétalas de rosa de Saron, água do rio Jordão, óleo fabricado com olivas de Jerusalém,  a utilização do sal grosso, pulseiras de metal, ramos de arruda e outras grosseiras superstições, herdadas do paganismo europeu e do candomblé africano.  Este é o fim de um caminho trilhado na apostasia, baseado na fraude e no engano (Filipenses 3:2)

            Nós Batistas, especialmente os Batistas Regulares, temos que levantar nossas vozes em protesto, ainda que sejamos a minoria. Temos que afirmar que biblicamente é impossível um Cristianismo sem o novo nascimento, sem a identificação com a cruz de Cristo, sem a aceitação de seu jugo!  A religião sem compromisso com Deus é uma farsa!!!  Por mais que tais igrejas pareçam prósperas, por mais que cresçam, por mais que se multipliquem, delas jamais devemos sentir inveja e nunca devemos imitá-las. Elas confundiram simpatizantes com convertidos, crescimento com inchaço e fidelidade com interesse material.  Abandonaram os princípios bíblicos de água pura e foram saciar a sua sede nas cisternas imundas de água contaminada e infecta da secularização.  Para nós, só Jesus tem a água cristalina, pois Ele é a fonte (Ap. 21:6; 22:17; Jo. 4:10 e 14)!

I – INFILTRAÇÕES DO SECULARISMO NA HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

            Secularismo e apostasia sempre andaram lado a lado, unindo as suas forças contra a Igreja cristã desde o seu início.  Os “judaizantes” do período apostólico causaram muitas dores de cabeça para a liderança naquele início de Cristianismo. Queriam que os cristãos observassem os ritos da velha lei de Moisés, inclusive a circuncisão, como requisito indispensável para obterem a salvação. Mas o apóstolo Paulo, o guerreiro intimorato, combateu esse retorno ao jugo de escravidão e impediu que os primeiros cristãos apostatassem de sua fé ( Gl.1:6,7; 5:1-5). Não entendiam que o velho judaísmo estava corroído pela secularização, comprometido com o mundanismo e com os princípios mercantilistas, a ponto de o próprio Senhor Jesus perder a paciência com os seus dirigentes ( Jo. 2:13-16; 8:44).  Paciência que o profeta João Batista já havia perdido há muito tempo (Mt. 3:7-10).   A religião judaica, ao tempo de Jesus e durante o período apostólico, era manobrada pelo império romano, que até indicava os que deveriam assumir o cargo de sumo-sacerdote.  Quando a Igreja surgiu e levantou a bandeira da independência estatal, renegando qualquer outro deus além do Senhor Jesus e pregando um reino eterno e sem corrupções, atraiu a ira dos aliados ao poder e à corrupção de Roma.  Enquanto os judeus apóstatas gritavam: “não temos outro rei senão César”, o apóstolo Pedro bradava: “importa antes obedecer a Deus do que aos homens!”  Os verdadeiros seguidores de Jesus jamais compactuaram com o erro e nunca contemporizaram com o mundanismo. 
  
Aqueles que tentaram fazer isso foram severamente punidos (At. 5:1-10).  E os homens de Deus não pouparam aqueles que tentavam desfazer a obra do Evangelho (At. 7:51-53; 8:18-21; 13:6-11).  Os cristãos padeceram muitas perseguições durante mais de 3 séculos.  O sangue dos mártires selou a fidelidade dos crentes verdadeiros, iniciando por Estevão (At.7:54-60) e mais tarde Tiago (At.12:1,2). Depois destes, muitos milhares sucumbiram através dos séculos.  Uma grande parte de cristãos, infelizmente, foi morta pela própria igreja que se dizia cristã, depois que o Cristianismo tornou-se a religião oficial do império. Assim, homens e mulheres cujos nomes nos são desconhecidos, aliaram-se a vultos de destaque como Jerônimo Savonarola, John Huss, Wyclif ,Tyndale, todos condenados à fogueira.  Miguel Satler, antes de morrer queimado, teve a língua arrancada e pedaços de seu corpo tiradas com pinças de ferro em brasa. Baltazar Hubmaier, um líder anabatista, foi morto na fogueira no dia 10 de março de 1528 , em Viena, capital da Áustria; sua esposa teve uma pedra amarrada ao pescoço e lançada viva no rio Danúbio, 4 dias depois. Apesar de pertencerem ao período da Idade Média, eles também são heróis da fé, juntamente com a nuvem de testemunhas de Hb 11:32-12:1.   Mas no 4º Século ocorreu uma reviravolta na História da Igreja.  No ano 313 aconteceu a (“#*conversão*”) do imperador Constantino à fé cristã.  Notem que eu coloquei o termo conversão entre vários sinais de ressalva e até entre parêntesis.  Acontece que eu tenho minhas dúvidas quanto a essa “conversão”.  Constantino disse ter tido a visão de uma cruz e ouviu uma voz que dizia: “com este sinal vencerás”.  Conseguiu o apoio dos cristãos e venceu uma grande batalha. Depois disso encheu-se de autoridade e passou a dar palpites até em concílios, decidindo sobre assuntos teológicos, os quais, aliás, não lhe diziam respeito.  Convocou e financiou o Concílio de Nicéia, em 325 d.C.  Mais que isso, ele presidiu o Concílio e influenciou diretamente todas as decisões ali tomadas. O Cristianismo agora era a religião do imperador.

            Finalmente, em 380 d.C. o Cristianismo tornou-se a religião oficial do império, com a subida ao trono do imperador Teodósio.  Então a Igreja tornou-se estatal, sendo custeada e sustentada com dinheiro público.  Os outros cultos foram proibidos, abolidos e perseguidos.  A Igreja, que antes era perseguida, passou a perseguir.  Os que antes haviam derramado sangue passaram a derramar o sangue de outros, que defendiam uma fé diferente ou uma outra forma de culto.  Passado o curto período dos chamados “pais da Igreja” e dos “apologistas” e “polemistas”, que escreveram teses descrevendo e defendendo a fé cristã (entre 100 e 250 d.C.), a Igreja foi perdendo as suas características neotestamentárias e foi se babilonizando pouco a pouco.  Ao permitir a  mistura entre a verdade e o erro, tomou um rumo sem volta e caiu num abismo sem fim. Passou a adotar práticas e costumes pagãos, utilizando velas, símbolos mágicos, sinais, trajes sacerdotais, cruzes, imagens de escultura e uma infinidade de rituais antibíblicos e heréticos.   O fundo desse abismo foi a adoção do papado, o catolicismo romano e a “santa” inquisição.   Eis aí o “cristianismo” secularizado!

            Mas o verdadeiro Cristianismo (esse sim, com “C” maiúsculo) continuou puro, apesar de escondido e marginalizado.  Os Albigenses, os Valdenses, os Petrobrussianos, os Huguenotes e os Anabatistas levaram avante as doutrinas neotestamentárias, apesar de existirem algumas divergências doutrinárias entre eles.  Mas o tesouro doutrinário que nos legaram e as práticas fundamentalistas são o nosso supremo bem, tais como:

·         Igreja formada exclusivamente por regenerados e convertidos
·         Batismo por imersão
·         Igrejas locais e autônomas
·         Independência total do Estado
·         Fidelidade intransigente ao fundalismo neotestamentário
·         A Bíblia como regra exclusiva de fé e prática


 Depois desse pequeno  e abreviado panorama histórico, chegamos à seguinte conclusão: qualquer desvio da Bíblia, qualquer adulteração da Palavra, por pequena que possa parecer, constitui-se em apostasia e secularização.  A secularização, portanto, consiste em adotar princípios que regem este mundo, no que diz respeito ao modo de viver, de pensar e de crer.  O sincretismo religioso (que é a mistura de doutrinas religiosas), o mundanismo e o ecumenismo praticados hoje em dia, são a linha de frente da secularização.    

II – O CRISTIANISMO CONTEMPORÂNEO E A SECULARIZAÇÃO

            Textos: Tito 1:9,-11; 13,14; I Timóteo 6:3-5; II Timóteo 4:1-4;

            Reter firme a Palavra  (Tt. 1:9) – Só se retém a Palavra se houver fidelidade irrestrita ao Evangelho e à doutrina. Quem absorve a mensagem e a torna parte integrante de sua estrutura espiritual, fica imune às heresias e aos costumes mundanos de procedimento. Paulo assevera: “fiel é a Palavra e digna de toda a aceitação” (I Tim. 1:15).  A falta de leitura e de estudo sério da Palavra é um fator determinante para a queda e para a apostasia. Insubordinados, faladores vãos e enganadores (Tt. 1:10) – Toda e qualquer interpretação da Bíblia fora de seu contexto e do consenso é uma insubordinação. Insubordinada é a pessoa que não aceita se colocar debaixo de autoridade, controle ou regra. Os obreiros ou líderes neopentecoscais e carismáticos, de um modo geral, rejeitam qualquer forma de autoridade ou liderança, que não seja do seu sistema próprio de crença nos dons e manifestações “sobrenaturais”.  Guiam-se por “revelações”, “profecias”, “visões” e “sonhos proféticos”.   Também admitem “inspirações” e “palavras de poder”.  E se a “revelação” disser que se pode adotar um certo ritmo, um tipo de música ou dança, com o objetivo de “ganhar almas”, então eles adotam e crêem que é uma obra do Espírito Santo!  Quando algum cantor, jogador ou ator de novela se “converte”, logo é colocado em lugar de destaque e se torna divulgador da igreja, ou até mesmo “obreiro”. Conseqüentemente, os seus costumes e práticas de marketing, manipulação das massas e sedução de platéias se incorporam ao seu desempenho “evangélico”. 

            Essa é a principal razão de termos no meio evangélico rapazes usando brincos, cabelos compridos, barbas no estilo “maluco beleza” e diversos grupos de jovens cantando rap, hard rock, baião, xaxado, forró, etc., todos rotulados de “evangélicos”.  Faz parte da chamada “gospel music” até estilos “musicais” de grupos de marginais das grandes penitenciárias do país, inclusive usando termos profanos ao se referirem ao Senhor Jesus. Já não bastava a Xuxa afirmar que recebe ajuda “do cara lá de cima”? Parece que a coisa agora descambou de vez. E já é normal ouvirmos em programas “evangélicos” um certo estilo “brega evangélico”.  Sem contar com o “boi evangélico” e o “bloco carnavalesco de Jesus”.  Ou como pronunciou, no carnaval do ano passado, um “pastor” todo fantasiado e com a voz rouca: “...temos que demonstrar uma alegria sadia e mostrar que também podemos brincar um carnaval puro, cantando para Jesus”!  É....talvez ele possa cantar para aquele palhaço que se auto-denomina “inri cristo”, e também se intitula “jesus” (permitam-me escrever esses nomes em minúsculo mesmo)!!!

            Não poderia ser outro o resultado de tão grande desrespeito à Palavra de Deus e aos seus santos ensinamentos.  Mas os adolescentes e os jovens crentes vêem o comportamento desregrado desses “evangélicos” e questionam: “se eles são crentes e salvos, porque que eu também não posso proceder como eles procedem? Será que a minha Igreja estacionou no tempo e não consegue  acompanhar o sistema moderno de Deus nos falar? Se tantos sinais e milagres acontecem entre eles e se conseguem ganhar tantas almas, porque razão nós não conseguimos crescer”?  Eu compreendo esses questionamentos, mas também quero questionar. Pergunto o seguinte: desde quando a  quantidade representa a qualidade? Você gostaria de comprar 100 pães embolorados e duros por R$ 1,00 em lugar de comprar apenas 10 pães de boa qualidade pelo mesmo valor, só porque são em quantidade maior?  Ou será que trocaria 2 bois por 6 carneiros, só porque 6 é maior do que 2?  Você faria um negócio comigo, trocando sua nota de R$ 20,00 por um lindo cofrinho, contendo 100 reluzentes e brilhantes moedas de 10 centavos?  Espero sinceramente que suas respostas sejam “não”, caso contrário, vou duvidar de sua sanidade mental ou de seus conhecimentos de matemática!!!


            Outra doutrina: a piedade como fonte de lucro (I Tim. 6:3-5) – A “outra doutrina” é um ensinamento em desacordo com a sã doutrina. Tal ensinamento interpreta a Palavra a seu bel prazer e de acordo com os padrões deste século. Isso não significa que vão beber, fumar e cometer adultério, mas deixarão de usar cautela quanto a comportamentos, usos e costumes, que possam colocar em risco o testemunho do Evangelho.  Permitem que os jovens de seu movimento usem tatuagens, símbolos da nova era em suas camisetas, vestes curtas e provocantes, além de terem por ídolos componentes de grupos de hard rock, como: Kiss, Iron Maden, Sepultura e outros, declaradamente adeptos do satanismo, das drogas e da promiscuidade sexual.  É de se notar a influência desses roqueiros nas chamadas “bandas evangélicas” nesses últimos anos. Os membros dessas “bandas” usam roupas esquisitíssimas, cabelos compridos e desgrenhados, danças sensuais, requebros e maneios de corpo parecidos com os de seus ídolos, os quais procuram imitar até no som cavernoso e rascante de suas vozes roucas e ásperas. Geralmente seus shows são promovidos por políticos evangélicos, famintos por votos. E também por associações e grupos culturais, sedentos de dinheiro e famintos por lucro.  Essas igrejas se enchem e transbordam, são obrigadas a reformar e aumentar suas estruturas para caber tanta gente interessada em mudar de vida, não espiritual, mas financeira, receber cura para as suas mazelas e conforto para seus chiliques emocionais, aos quais chamam de “traumas do passado”.

            Até que isso rende muito, a televisão já mostrou obreiros carregando pesados fardos e sacos cheios de dinheiro, através dos gramados do Maracanã, lotado com quase 200.000 pessoas.  Mas é um dinheiro maldito e sujo, tirado de pessoas simplórias e crédulas, inocentemente sugadas até ao último centavo, pela arenga fraudulenta e a lábia convincente de um astuto pregador milagreiro, que promete até fazer crescer cabelo nas palmas das mãos, pela “oração da fé”!  Eu sei que exagerei um pouquinho, mas é mais ou menos isso que acontece nos tais “espetáculos de fé”.  Bem...que são espetáculo não restam dúvidas, pois levam em suas reuniões cantores famosos e grupos e bandas já consagradas no meio evangélico. Mas nada têm quanto à legítima fé.  O que ensinam na verdade, não passa de sugestão mental, técnicas de hipnose grupal e pretensas curas de males, geralmente todos psicossomáticos.  Calma, eu explico: são sintomas da mente, psicos (do grego psice - psiquê, alma ou mente) que se refletem no corpo, soma ( do grego soma - corpo).  Resumindo, uma doença psicossomática tem origem na mente (seja por sugestão ou perturbação) e se reflete na parte  física, através de sintomas, como dores e até deformações ou hematomas.  Podem causar a morte.

            E é justamente nessa área de manifestações psicossomáticas que trabalham os macumbeiros, feiticeiros, pais de santo e milagreiros “evangélicos”.  Por isso, não podemos aceitar seus métodos e nem imitá-los em seus procedimentos, pois estaremos nos secularizando.  E sabem por quê? A resposta está em II Cor. 4:4. Está escrito que o diabo é o deus deste século e que ele tem cegado o entendimento dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do Evangelho!  Infelizmente essa cegueira tem afetado muitos membros outrora fundamentalistas, que se bandearam para esses movimentos “avivados” e trocaram a pura adoração pelo sensacionalismo emocional.  Fica o alerta, não só em I Tim.6:3-5, bem como em II Pe. 2:3, que afirma que os falsos obreiros, movidos pela ganância e usando palavras fictícias, nos usarão como objetos de comércio. Aliás, a palavra de ordem nesses movimentos é: prosperidade.  A isca que usam para atrair adeptos relaciona-se somente com as coisas materiais e com o bem-estar físico: curas, milagres, orações para conseguir um bom emprego, campanha de oração com o objetivo de prosperar financeiramente, etc.  Claro que podemos (e até devemos) confiar em Deus para que cure as nossas enfermidades e devemos pedir-lhe o auxílio para crescermos em nossas profissões e também podemos clamar quando estivermos em dificuldades financeiras.  Mas não devem ser esses os motivos que deverão levar alguém a buscar a conversão. E nem podemos utilizar o argumento da prosperidade e nem a busca dos bens materiais para atrair as almas perdidas.  Só e tão somente o arrependimento pelos pecados cometidos contra Deus e a angústia por ter praticado o mal, podem abrir a porta da salvação ao pecador e levá-lo aos braços de Jesus, para receber o perdão, ser regenerado e transformado em filho de Deus.

             Infiltrações dissimuladas (Gl. 2:3; II Pe. 2:1) – Dissimuladas quer dizer encobertadas e mostram muito bem o caráter de infiltração desses costumes e doutrinas.  Barnabé, um dos companheiros do apóstolo Paulo, quase caiu na conversa mole dos judaizantes e por pouco não abandonou a sã doutrina! A razão é que eles usam argumento quase bíblico, uma explicação quase correta e um ponto de vista quase cristão.  E também usam uma meia dúzia de versículos e textos bíblicos fora de seu devido contexto. O resto eles misturam com uma grande quantidade de papo furado e apresentam como sendo a grande maravilha teológica do século.  E tem muita gente que cai nessa conversa fiada!  Eis a razão de existirem hoje em dia pessoas completamente carnais, infiltradas no meio evangélico como se fossem crentes autênticos.  Mas basta uma pequena provação ou reprovação de seus atos por parte dos dirigentes, para que abandonem a Igreja e procurem outro movimento onde se sintam bem. Outros sentidos para dissimulado são: velado, escondido ou disfarçado.

            III – O ANTÍDOTO DA SECULARIZAÇÃO

            Textos: II Tim. 4:2; Rm. 13:12-14; Ef. 4:17-19;22-24; 5:6-11

            Prega, exorta, repreende, corrige (II Tim. 4:2) – O uso correto da Palavra é o único poderoso antídoto contra o veneno da antiga serpente que é o diabo e satanás (apesar das regras gramaticais, eu não vou escrever esses nomes em letras maiúsculas não!!!), e o estudo da Bíblia se torna vital para a sobrevivência da nossa fé. Embora possa parecer estranho para os dias de hoje, o crente deve contestar e denunciar o comportamento corrupto e antibíblico da assim chamada “cristandade” do fim dos séculos. De maneira alguma devemos nos associar com eles e muito menos compartilhar os nossos púlpitos.  Nada temos que aprender com eles, e eles nada querem aprender de nós. Não devemos participar do circo do ecumenismo e nem fingir uma união que não existe.  Na verdade, o mundo nos odeia e nós devemos odiar o mundanismo.  Devemos amar os pecadores, mas odiar o pecado que cometem e jamais praticar aquilo que praticam.
Despojamento e revestimento (Ef. 4:22-24; Rm. 13:14; Fp. 3:8) – Abandonar tudo quanto se relaciona com os princípios mundanos e consagrar-se inteiramente ao Senhor Jesus. Este é o único meio de se livrar dos laços do secularismo. Não se trata tão somente de se adaptar aos costumes e tradições de uma Igreja, mas viver a vida digna do Evangelho de Cristo.  O crente verdadeiro está morto para o mundo e vivo para as coisas de Deus. Não pode sentir prazer nas coisas da carne, pois o que permanece nele é a divina semente e não pode viver pecando, porque é renascido de Deus e pertence ao reino dos céus (I Jo. 1:5-9; 3:6-9; 5:18,19). O crente é um pecador regenerado. Quando ele peca reconhece que pecou, confessa o pecado, pede perdão e se reconcilia com Deus. Dependendo do caso, tem até de ser julgado e disciplinado pelo tribunal da Igreja, a fim de que seja corrigido para o seu próprio bem e para o bem comum da Igreja.


CONCLUSÃO


            Tudo aquilo que ultrapassa os ensinamentos da sã doutrina, ou que esteja em desacordo com os princípios de vida adotados pela Igreja, devem ser considerados mundanos e seculares.  Especialmente os “modismos” e “modernismos” que surgem de vez em quando. Devemos estar atentos a esses perigos, pois satanás (novamente vou desobedecer as regras gramaticais!) nos rodeia, esperando o momento mais adequado para tentar nos derrubar. Cautela, cuidado e vigilância devem fazer parte da nossa armadura (Ef. 6:10-18).  A seguir, examinaremos alguns perigos ocultos na modernidade e o que podemos fazer a respeito.


 A Televisão e a Mídia da globalização – Desde o surgimento e a expansão das conquistas da eletrônica, a tecnologia tem sido utilizada para a divulgação do Evangelho. Os bons e velhos programas de rádio ainda estão aí, cumprindo com eficiência o seu papel evangelizador. Mas surgiu a televisão e as coisas mudaram drasticamente. Uma nova preocupação agora é com a imagem que os telespectadores vão receber em suas casas. Os padrões antigos caíram por terra e novos padrões foram estabelecidos no setor da comunicação em massa. Novamente a questão delicada dos critérios bíblicos serviu de embaraço e tropeço para muita gente. Para conquistar o público, muitas igrejas transformaram o seu sistema evangelizador em verdadeiros shows televisivos, para atrair e divertir as massas, ao invés de simplesmente pregar o Evangelho.  Claro que temos que saber usar a tecnologia moderna à nossa disposição. Podemos treinar as nossas equipes e prepará-las adequadamente para o trabalho. Todos os recursos audiovisuais deverão ser explorados, bem como as técnicas de teledramaturgia e cinematográficas. Filmes evangélicos, com mensagem e conteúdo comprovadamente bíblicos devem ser utilizados, bem como clipes de música cristã verdadeira (se passarem pela peneira da sã doutrina!), além de testemunhos, entrevistas e debates. Porém...cuidado com a denominada “globalização”! É uma tentativa de nivelar todos os credos, doutrinas e pensamentos políticos numa só direção, para que haja um controle universal. Isso cheira, ou melhor, fede a enxofre e é o embrião do anticristo. Sabemos que um dia ele se utilizará desses recursos tecnológicos, para divulgar sua doutrina, controlar e vigiar os passos de cada cidadão no mundo. Ele será o Big Brother (o Grande Irmão), atento a tudo o que se passar nesse planeta. Essa vigilância já está se infiltrando pouco a pouco e as pessoas estão sendo doutrinadas a ver isso como fato normal. Aqui no nosso Brasil, a Rede Globo se encarrega de ensinar os brasileiros e também todos os sul-americanos, através do Globo Sat (esse “Sat” até parece abreviatura de Satanás, não é mesmo?). E, no resto do mundo, empresas globalizadoras, como a C.N.N. e a E.S.P.N. fazem o mesmo a nível mundial.

            A Internet, os Sites e os E-mail’s – Nada surgiu igual ao computador nesses últimos séculos e nem em qualquer outra época do mundo. As enormes facilidades de divulgação, intercâmbio e disseminação de idéias chegam a ser assustadoras. Qualquer um pode fazer parte dessa grande rede mundial de computadores, basta ter um computador em sua casa, um Modem e uma linha telefônica, ou uma ligação por cabo de fibra ótica. O termo universal utilizado é Wide Word Web e significa Teia de Aranha de Alcance Mundial. Chega a dar arrepios, não é? Pois é....trata-se de um emaranhado de comunicações e dados os mais diversos que se possa imaginar. Mas também representam uma devastadora armadilha, de onde não se pode fugir facilmente. No controle dessa teia, o inimigo de nossas almas, como se fosse uma aranha maligna, escravizará, dominará e controlará cada movimento dos seres deste planeta, todos quantos não forem arrebatados na 2ª vinda de Cristo, quando Ele vier nas nuvens para nos buscar e levar consigo. Mas enquanto isso não acontece, vamos nos utilizar dessa tecnologia a nosso favor. Como?  Criando Sites de divulgação do Evangelho e de debates bíblicos, páginas eletrônicas (chamadas Home Pages), salas virtuais de videoconferência, listas de correio eletrônico (conhecidos como E-mail) e tudo o que estiver ao nosso alcance e à nossa disposição, para executar o nosso trabalho de missões virtuais. Também podemos espalhar pela Internet versões da Bíblia Sagrada, estudos bíblicos, sermões doutrinários, alertas e denúncias contra heresias, mensagens de ânimo para os crentes, enfim.... não tem fim!  Espero que este simples e pequeno trabalho sirva aos queridos irmãos como ferramenta para corrigir o erro, levantar os ânimos e estimular ao trabalho missionário, em todos os níveis (local, mundial,transcultural). Se isso acontecer, dar-me-ei por muito bem recompensado e realizado.


F I M


Pr. Sérgio Aparecido Dias
Fone: 91340296
Podem imprimir e divulgar livremente, lembrando-se tão somente de citar a fonte, ok?       
 

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