quinta-feira, 15 de abril de 2010

AS MINHAS MALDIÇÕES HEREDITÁRIAS
CRÔNICA DE:  Sérgio Aparecido Dias
(...e de quem mais poderia ser?)



            De acordo com os novos ensinos “teológicos”, eu devo ter maldições pra mais de metro! Senão, analisem comigo os seguintes tópicos:

·         Para começar, minha ascendência paterna é africana, ou seja: sou “afro-descendente”. Trocando em miúdos: sou filho de preto!

Na verdade, não sou “filho de preto”, mas filho de “mulato”, visto que minha avó era branca e casada com um negro legítimo. Pela matemática das gerações das genealogias, provavelmente meu bisavô nasceu escravo, aí por volta de 1861. Forçosamente, meu tataravô veio da África na condição de escravo, em 1840, mais ou menos.  Como geralmente os negros africanos seguiam as religiões que deram origem ao Candomblé brasileiro, bem como a chamada “magia negra” (porque era praticada por negros; talvez a dos brancos seja “magia branca”!), eu possivelmente carregue toneladas e toneladas de maldições!

Mas é possível que haja atenuações para essas maldições, pois os meus documentos dizem que eu sou “pardo”, algo assim semelhante a “marrom”.

·         Meu pai era “cambono”, algo assim como auxiliar de “babalorixá”, que antigamente se dizia “pai-de-santo”. Às vezes, nos terreiros de umbanda, ele conversava com os “cavalos”. Demorei um pouco para entender isso.

Fui “esclarecido” que assim eram denominadas as pessoas “incorporadas” por espíritos, que as utilizavam para se comunicar com os vivos. Eu ria muito cá comigo muitas vezes, quando via mulheres “incorporadas”. Nesse caso, elas eram “éguas”, não é mesmo? Inclusive, eu andei “arrastando as asas” para algumas “egüinhas” bem jeitosinhas! Bem, mas...isso não vem ao caso da presente crônica.

·         Voltemos às maldições. A minha avó era muito religiosa, do mesmo modo que a minha mãe. Mas, devido ao sincretismo religioso do Brasil, também dava seus créditos aos “orixás”, benzedeiras e rezadeiras. Por sinal, ela também era rezadeira, puxadora de cantos, “benditos”, “ladainhas” e infindáveis rosários e “terços”. E, claro, não poderia faltar a crença nos “banhos de descarga” (atualmente chamados de “descarrego”, tanto nos terreiros da Umbanda quanto nos da “Universal”).

·         Em casa, tínhamos imagens de São Sebastião, mas também dávamos honra a Oxóssi. Rezávamos para N. Sra. Aparecida, mas também críamos em Yemanjá. Carregávamos os andores de São Jorge, mas também dávamos honra a Ogum. Em qualquer desses casos, praticávamos idolatria. E também macumba das brabas, com “demanda” despacho e tudo o mais! Tudo isso agregado à fidelidade absoluta ao catolicismo e a crença na missa, no “purgatório” e nos santos. A mesma mistura indigesta de grande parte do povo brasileiro, aliás!
E por aí vai! Seria um desenrolar de fontes e mais fontes de maldições, se eu continuasse a enfileirar as possibilidades. Reconheço que todas essas coisas fazem parte do reino das trevas, trazendo, conseqüentemente, maldições para quem as pratica e condenação a quem as segue. Mas não são transmitidas geneticamente e nem transferidas automaticamente aos descendentes. A mesma coisa acontece com quem segue a Cristo e ao Evangelho: seus filhos não são automaticamente salvos e nem nascem crentes por um processo de código genético. Filho de peixe é peixinho, certamente, mas filho de crente não é “crentinho”! Do mesmo modo, filho de perdido não é perdido por transmissão hereditária, mas, sim, por nascer contaminado com o pecado original.  Que não é um código genético transmitido por Adão, mas inserido na natureza humana após a queda de nossos primeiros pais.

Mas quando somos alcançados pelo poder regenerador do Evangelho, o Espírito Santo nos convence do pecado e nos leva a receber a salvação e a remissão dos pecados por Jesus Cristo, efetuando-se o milagre da conversão e a transformação em nova criatura (Jo. 3:3; 6-8; 16-18; Jo.5:24; Jo. 14:16,17; Jo. 16:8; II Co. 5:17).  E já sabemos que ninguém pagará pelo pecado de outrem e nem se salvará pelo bom procedimento de seu pai ou de sua mãe.  Logicamente que sempre existirão “efeitos colaterais” do pecado cometido, como, por exemplo, as doenças transmissíveis pelo sangue (sífilis, gonorréia, Aids, etc.), bem como deformidades e mutações genéticas em casamentos consangüíneos. Porém, a culpabilidade do pecado e as implicações morais jamais são passados de uma geração para outra geneticamente. Cada qual sempre serás responsabilizado pelo seu próprio pecado, ainda que este venha a trazer seqüelas físicas à descendência.

Desse modo, não preciso ir a um “encontro tremendo” e nem “regredir” até o útero materno ou até a vidas anteriores.  Nem pesquisar minha árvore genealógica à procura de possíveis focos originários de maldição. E por sinal, no meu caso, aí é que a porca torce o rabo, pois sou judeu por parte de mãe. Meus avós maternos, José Salomão e Ana Salomão, eram judeus. Pensando bem, se eu regredir até o dia da crucificação, de repente poderei descobrir que algum ascendente maluco tenha jogado pedras na cruz!

Melhor parar por aqui mesmo, ou ficarei louco. Misturar “saravá” com “shalon” nunca daria certo, nem aqui e nem na China. Sou Brasileiro e Cristão, e isso é o que importa. Cristão evangélico, que isso fique bem claro! Evangélico crente, quem isso fique mais claro ainda! Crente no sentido bíblico, com fidelidade irrestrita na Palavra de Deus e não de “profetas”, “apóstolos” e “ungidos”. E fim de papo!

    

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