terça-feira, 29 de setembro de 2009

A NOVA ORTOGRAFIA

Crônica de: Sérgio Aparecido Dias
(...e de quem mais poderia ser?)


            E chegou a nova ortografia. Justamente quando se estava tentando usar corretamente a atual (que, aliás, já virou antiga). Pois que seja (ou que o seja)! Fico aqui pensando (ou fico cá a pensar) que a situação vai piorar, e muito. Não bastasse o besteirol do mau uso do gerúndio, como por exemplo: “em que POSSO ESTAR ajudando...” , “para que possamos ESTAR FAZENDO”, “será que o prefeito PODE ESTAR ajudando”, “quando PODEMOS ESTAR crescendo”, e outras imbecilidades de igual quilate, teremos que engolir a ortografia e a sintaxe lusitana?  Em princípio (se bem que a  priori ficaria mais chique), nada contra a gramática d’além mar.

            Pelo contrário, devemos nosso idioma à santa terrinha. E também os vícios de linguagem, as gírias e etc. Mas de igual modo a acentuação gráfica! E agora querem tirar os acentos das sílabas tônicas. Pois eu não tiro não, podem ver que estou acentuando todas, desde o início desta crônica. Já não bastam os barbarismos do “tu foi”, “tu vai”, “tu fica”? Falaram até que vão tirar o acento do cágado. Pois eu acho que isso vai cheirar muito mal!  E dar uma tremenda confusão nos neurônios da moçada, que por sinal não consegue se expressar em idioma nenhum. A galera do “tio”,”falô”, “papo cabeça”, “se liga”, “manêro”, e outras barbaridades, toma conta das salas de nossas universidades. E como eles mesmos dizem, “não tão nem aí”.

            Pois eu tô (isto é, estou) e não concordo com isso. Ou - como diria aquele ex-ministro - eu “disconcordo”.  Pois, sem acentuação adequada, muitos sujeitos se transformarão em verbos, enquanto artigos e gêneros mudarão de função, numa metafórica operação trans-sexual. Pelo menos enquanto durar o hífen (que talvez até fique sem o “h”). Um chato já me disse aqui no pé do ouvido, que eu não deveria ter hifenizado o sexual. Ora bolas, o sexo é meu e eu ponho nele o que eu quiser! Refiro-me ao acidente gráfico, ou será que tem algum tapado lendo esta crônica?

            É, eu tô mordido sim e com razão! Passei anos e anos aprendendo de um jeito e agora eles dizem que é de outra maneira? E como vou saber quando é “côco”, “cocô” e “cocó”? Vou tomar água de quê? O bebê vai fazer o quê? E a minha mãe vai fazer o quê com o seu cabelo? Eu acho que estou ficando velho pra essas coisas. Ficar mudando pra lá e pra cá é coisa de gente jovem. Eu já passei dos 40 (faz 17 anos), por isso estou encontrando uma certa dificuldade de adaptação. Talvez até mais de uma. Diversas, na verdade.

            Mas tenho que  ir com calma. Passo a passo no compasso. Devo me tornar um “Mário vai com os outros”. Sim, porque “Maria” eu não serei, nem que a nova ortografia a isso me obrigue! Isso é um tremendo desvario, acho que estou ficando maluco. Mas a culpa não é minha e, sim, desses iconoclastas ortográficos, lexicidas maníacos, lesa-vernáculos psicóticos. O que estamos assistindo é uma verdadeira psicose verborrágica maníaco-depressiva em estado irreversível! Pobre Camões, deve estar se revirando em seu túmulo! E vai sentir-se bem pior, quando descobrir que “túmulo” talvez também perca o assento.  Creio que o próprio assento sanitário perderá o acento. E eu perderei o juízo, mesmo porque “juízo” certamente não será mais acentuado. Sabem de uma coisa? Vou terminar aqui mesmo e vou navegar pela Internet, antes que pire de uma vez, e meus 5 neurônios (o Tico, o Teco e os 3 Patetas) entrem em colapso total.

F I M (é lógico, né...)

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