sábado, 26 de setembro de 2009

MARTÍRIO DOS ANABATISTAS - Parte II

A VERDADE HISTÓRICA SOBRE A "TRAGÉDIA DE MÜNSTER"

Não poderíamos continuar a História dos Anabatistas sem nos referir ao episódio que ficou conhecido como “A Tragédia de Münster “ ou “O Reino de Münster.”  Foi a famosa Revolta dos Camponeses, na Alemanha, em 1524. É bem verdade que o estudioso e pesquisador de nossa época, que dispõe de todas as fontes documentais sobre os acontecimentos ante e pós idade média, não atribuirá aos Anabatistas, os desmandos que ocorreram na Renânia ( particularmente em Münster ).  Mas, infelizmente para os Anabatistas da época, os seus opositores aproveitaram-se da situação para culpá-los.  Vamos aos fatos: verdade seja dita que a reforma protestante, particularmente na Alemanha, revestiu-se de características nacionalistas.  O Feudalismo, sistema caótico implantado na Europa Medieval, por força das circunstâncias de desgoverno ( especialmente após a morte de Carlos Magno ) e do avanço dos bárbaros Vikings, aliado às conquistas muçulmanas, dividiu os países em províncias ou territórios, também denominados cantões ( como os cantões suiços, por exemplo ).  A Alemanha estava esfacelada e até o idioma alemão puro era quase desconhecido nalguns cantões.  A preservação da cultura e das tradições dependia, quase sempre, dos mosteiros, conventos e abadias.

            Particularmente a Saxônia, cujo chefe político-militar Frederico era amigo e defensor de Martinho Lutero, teve participação vital no movimento reformista.  Não fosse o apoio de Frederico, Lutero teria sido morto pelas tropas do papa Leão X, ao retornar da Dieta de Worms, onde foi julgado perante os maiores teólogos romanistas.  Apesar de não ter sido condenado ( e ter um salvo-conduto ), cavaleiros encapuzados o esperavam na estrada para Wittemberg, com o objetivo de raptá-lo e matá-lo.  Mas Frederico também enviou seus cavaleiros ( também encapuzados ) e estes raptaram Martinho Lutero e o levaram à salvo para um dos castelos de Frederico, na Saxônia.  É a esse castelo que Martinho Lutero alude, em seu famoso hino " Castelo Forte."  Nesse castelo, pelo espaço de 2 anos, Lutero traduziu a Bíblia para o alemão.  Não porém o alemão corrompido ( pela      " linguagem de hoje " daquele tempo ), mas o alemão puro e castiço, o alemão clássico, fator de união dos cantões numa só e grande Alemanha, uma das maiores forças da Europa e do mundo.  Se hoje a Alemanha fala um único idioma, deve isso a Martinho Lutero.  Se a Alemanha é hoje uma das maiores potências mundiais, deve render tributo à reforma protestante.  Os alemães tiveram que reestudar o alemão, pois tinham sede de ler a Bíblia em seu próprio idioma.  Aprenderam muito mais que o idioma: descobriram a liberdade e a nacionalidade.  

  Era o início do fim do Feudalismo.  E  toda a Europa seguiria o exemplo alemão, cada qual dos países procurando a sua própria identificação.  Até mesmo os conquistadores Vikings nacionalizaram-se em seus territórios conquistados e lentamente se formariam a Tchecoslováquia, Suécia, Dinamarca e demais nações da média e baixa Europa.  Mas era difícil, para os antigos senhores feudais, abandonarem os territórios onde dantes viviam como reis, explorando o povo.  Até mesmo bispos católico-romanos eram senhores em vários feudos, na Alemanha e na Espanha.  E tinham o apoio de reis e imperadores. 

            A Renânia ( na Alemanha ) era também dividida em Feudos.  E a região, cujo centro era Münster, tinha como senhor feudal um bispo católico-romano.  Mas o próprio povo, de origem camponesa, estava farto das explorações do bispo.  Organizaram uma grande revolta, conhecida na História como " A Revolta dos Camponeses " e conseguiram expulsar o bispo e suas tropas, declarando Münster um território livre e independente.  Formou-se um govêrno emergencial e Bernardo Rothmann, pregador luterano, assumiu o controle da situação.  Propagou-se a notícia: Münster era livre e tinha como líder um reformista luterano.  Breve, Münster se tornaria refúgio para Anabatistas e dissidentes  do romanismo, fartos de perseguições e sofrimentos.  Todos os que para lá seguiriam em busca de refúgio e liberdade, porém, sem saber seriam cercados numa armadilha mortal e sem saída.  Münster estava destinada a ser o palco de um hediondo massacre

            Mas retornemos um pouco na História, para encontrarmos as personagens centrais desse drama de horror, que pouco a pouco comporiam o elenco dessa tragédia.  O nome mais destacado é o de Melquior Hofmann, considerado o mentor espiritual do Reino de Münster, por ter sido o disseminador do advento da Nova Jerusalém na Alemanha. Pouco se sabe de sua vida anterior à sua adesão ao Luteranismo, quando tinha cerca de 30 anos, a não ser que nascera na Suábia, em 1495.  Tornou-se tão ardoroso defensor das idéias de Lutero que passou a exercer as funções de pregador por conta própria, a princípio tendo o apoio e simpatia do reformador.  Teve grande aceitação na Suécia, Dinamarca, Holanda e ao norte da Alemanha.  Seus sermões escatológicos e suas conclusões estapafúrdias e confusas, logo atrairiam a ira do próprio Lutero.  Quando Melquior Hofmann tentou assumir permanentemente o púlpito de uma Igreja na Dinamarca, Lutero se opôs e afirmou que Hofmann não tinha competência e nem vocação divina para pregar.  O próprio rei da Dinamarca, Frederico X, expulsou-o do país, por não concordar com a sua pregação escatológica.  Decepcionado, Melquior Hofmann abandonou os luteranos e entrou em contato com os Anabatistas, em Estrasburgo ( Alemanha ) e por eles foi recebido e batizado, em 23 de abril de 1530.  Foi de curtíssima duração o seu tempo entre os Anabatistas, pois eles também rejeitaram as suas interpretações proféticas e não apoiaram as suas idéias de uma Nova Jerusalém alemã.  Que esse registro histórico fique bem claro na mente de cada um:  os anabatistas alemães não apoiaram as idéias de Hofmann!!!

            Deixando os Anabatistas, Hofmann saiu da Alemanha e foi para a Holanda, onde conheceu aquele que seria o líder dos amotinados de Münster: Jan Mathys, a quem batizou e foi o seu mais destacado discípulo.  Logo, Jan Mathys destacou-se em várias atividades "evangelísticas " e cresceu em liderança.  Apesar de serem unidos pelas mesmas heresias, não foi possível continuarem juntos e houve um inevitável rompimento entre eles.  Jan Mathys enviou vários de seus discípulos a pregar e batizar, enquanto Melquior Hofmann percorria outras regiões da Holanda, anunciando a vinda de Jesus e predizendo a instalação da Nova Jerusalém na Alemanha.  Estava ele em suas atividades, quando recebeu a visita de um colega que se dizia profeta, portador de um recado profético especial.  A " profecia " dizia que ele, Hofmann, deveria voltar para Estrasburgo, onde seria preso por seis meses.  Ao findar esse tempo, Jesus Cristo voltaria e Hofmann seria libertado, liderando os Anabatistas em procissão vitoriosa através do mundo. 

Continuação em outra postagem.....

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